Solo para uma dança e um violão & 6 Instantes de solidão

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Informações

  • Coreografia: Dudude Hermann Rodrigo Pederneiras
  • Ano 2017
  • Local Sesc Consolação
  • Profissionais em “Solo para uma dança e um violão” Renato Motha, Cauê Gouveia.
  • Profissionais em “6 Instantes de solidão” Ana Paula Cançado, Jacqueline Gimenes, Adriana Holtz, Pedro Pederneiras, Janaína Castro, Filipe Bruschi.

Sobre o Espetáculo

Este episódio apresenta dois solos de dança em que a principal relação é com a música, nos convidando a perceber quais inúmeras relações são possíveis, desde que a dança deixou de replicar a música a cada acento ou pausa. Ambos solos compuseram o primeiro dia – 11 de março de 2017 – do projeto “Notas Dançadas”, no Sesc Consolação. São eles: “Solo para uma Dança e um Violão” (1998) com Dudude Hermann e Renato Motha (violão) e “6 Instantes de Solidão” (2010) interpretada por Jacqueline Gimenes, violoncelo de Adriana Holtz e coreografia de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo, a partir da “Suíte nº. 2 para Violoncelo”, de Bach.

“Solo para uma dança e um violão” com Dudude Hermann e Renato Motha

Datado mas atual, a intervenção cênico-musical foi criada em 1998 e apresentada no Festival de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT). Dudude aceitou o convite de novamente dança-lo pois demonstra saber como é histórico este trabalho que, ao mostrar a improvisação dançada ao vivo com música em cena, já trazia na época um novo olhar do gesto com a música. Na criação do musicista Renato Motha, em 1998 e nesta oportunidade de 2017, é possível perceber como Dudude Hermman nos ensina sobre a improvisação do movimento, que exige presença atenta, disponível e intensa a cada detalhe do movimento.

Neste solo, o gesto conversa com a música, a melodia, o acento, a pausa, cada pedaço do movimento – o sorriso, a surpresa, o tropeço – responde ou pergunta para a música – o tom, o o devaneio, a cadência, sem compromisso de compasso, tempo nem retruque entre movimento-música.

Dudude mostra o prazer, a amplidão do movimento, desapega e reinventa a continuidade do gesto. A música usa destas e de suas estratégias. Repetição não se vê, mas sim uma surpresa que não deixa piscar o olhar, uma leitura de poesia, um gesto onde o “presente guarda a eternidade”, como afirma a artista.

“No corpo da pessoa uma dança, na dança um violão, um músico no som das cordas, uma dança, uma pessoa”.

 

“6 Instantes de solidão” com Jacqueline Gimenes, com coreografia de Rodrigo Pederneiras, estreou em julho 2010, com marcante obra musical “6 Suítes para violoncelo”, de Bach, na época interpretada por Antonio Viola e nesta versão filmada com interpretação de Adriana Holtz. Importante parceria após a experiência da bailarina com o Grupo Corpo (1991-2004), a coreografia é um desafio para a música e para a dança. Holtz afirma como foi preciso minutar cada movimento porque o tempo da música não é o mesmo, mas são mesmo gestos musicais.

Os acentos do movimento escutam por onde a música segue, as ranhuras das cordas do violencelo modificam a textura do gesto dançado, o andamento sugere cada estado de movimento – mais torto, mais agitado, mais trôpego, mais fluido. A solidão faz-se na entrega para a música, sua atmosfera, suas variações agudas na composição rigorosa de Bach.

Todo gesto é possível, toda frente é possível, toda pausa guarda o próximo passo. Assim a relação é não de um para um, não é igualdade ou nem da música ditar o movimento. Seja de costas, no chão, em círculos, a dança vai se embelezando e hipnotizando aquele que vê na dança a música, e vice-versa.

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