Quebrakovsky – The Nuts Talent Show

Balé da Cidade de São Paulo |
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Informações

  • Coreografia: Alex Soares
  • Companhia Balé da Cidade de São Paulo
  • Ano 2016
  • Local Theatro Municipal de São Paulo
  • Profissionais Eduardo Strausser, Raymundo Costa, Wilson Aguiar, Marcos Santos, Pablo Nordio, Cassiano Grandi, Eliseu Correa, Rossana Boccia, Suzana Mafra, Kênia Genaro, Roberta Botta, Suzana Mafra , Liliane Benevento, Milton Kennedy, Wirley Francini, Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Igor Vieira, Isabela Maylart, Jaruam Miguez, Joaquim Tomé, Julie Endo, Leonardo Hoehne Polato, Lucas Axel, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Marcos Novais, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Rebeca Ferreira, Renée Weinstrof, Thais França, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam, Vivian Navega Dias, Yasser Díaz, Joana Meirelles Giannella, Cleusa Fernandez, José Hilton Jr. , Sueli Matsuzaki, Leandro Lima, Juliana Andrade, Gabriela Araujo, Alessander Rodrigues, Nailton Silva.

Sobre o Espetáculo

“Quebrakovsky”, do coreógrafo Alex Soares, faz referência ao famoso balé de repertório “Quebra Nozes” de composição de Tchaikovsky, coreografado originalmente por Marius Petipa e Lev Ivanov, baseado no conto infantil de Alexandre Dumas, estreado em dezembro de 1892 no Teatro Mariinsky da companhia russa de mesmo nome. Por conta de sua importância histórica, o balé tem sido encenado seguindo sua dramaturgia constituinte do período romântico com aspectos artísticos que colocam este balé em um patamar de repertório, remontado várias vezes por décadas de forma semelhante.

Mas aqui um fato é distinto, por isso é menos uma remontagem e mais uma recriação. Alex Soares atualiza os personagens à luz de como o compositor olharia sua obra nos dias de hoje, dando à Clara, sua protagonista, assim como ao próprio Quebra Nozes, uma roupagem contemporânea, urbana e pop, com pitadas de humor e com uma movimentação muito distinta daquela conhecida do balé clássico. Incluindo projeções do Google como ferramenta de busca de aspectos da obra, personagens reais que fizeram parte do imaginário do compositor estão presentes no palco, assim como recursos que remixam a história de seus personagens. Este “Quebra Nozes” parte do original mas o modifica e não se assemelha a sua montagem conhecida, a do repertório, dada por uma cultura secular do balé.

Alex Soares ousa em remodelar estruturas mas mantém parte da história, da pantomima e renova a gestualidade do balé em forma de quedas, acentos e fluxos de movimento no solo. Traz cenas de batalha de movimento, como aquelas do hip hop, traz drag queens para a tradicional dança chinesa do 2o ato e assim surpreende o público que esperaria mais do mesmo. Com isso, modifica nosso olhar do que seria um balé tradicional, prática esta já experimentada por diversos coreógrafos desde década de 80, mas, no Brasil, uma prática ainda tímida.

O maestro Eduardo Strausser, o figurinista Cassiano Grandi e o cenógrafo Wilson Aguiar mostram ao público a potência da inovação quando uma companhia aceita desafios e se refaz, como é próprio do BCSP, que não desiste em sua vocação. “Quebrakovsky” é um balé que faz contemporâneo o movimento, a dramaturgia e renova nosso olhar para o que seria clássico e é então pop.

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