Protocolo elefante

Grupo Cena 11 Cia. de Dança |
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Informações

  • Coreografia: Alejandro Ahmed
  • Companhia Grupo Cena 11 Cia. de Dança
  • Ano 2016
  • Local Sesc Consolação
  • Profissionais Aline Blasius, Hedra Rockenbach, Jussara Belchior, Karin Serafin, Natascha Zacheo, Malu Rabelo, Wagner Schwartz, Michelle Moura, Eduardo Fukushima, Gabi Gonçalves, Roberto Gorgatti, Anderson do Carmo, Edú Reis Neto, Mariana Romagnani, Pedro Franz, Priscilla Menezes, Marcos Klann, Natascha Zacheo.

Sobre o Espetáculo

“Protocolo Elefante”, do Grupo Cena 11 consagra a trajetória de mais de dez anos da companhia e da intensa pesquisa coreográfica de Alejandro Ahmed e traz ao público o resultado de dois anos de pesquisa acerca da pergunta “por que continuar?”. A companhia que questiona seu próprio lugar no cenário cultural brasileiro acaba por discutir também aspectos que não se restringem a companhia, mas ao momento histórico em que vivemos. Coletivos artísticos encerrando suas atividades, grupos perdendo recursos, artistas em crise no atual estado de incerteza econômica e social. O estado de arte da cultura vigente pergunta qual arte é possível hoje. O auge da dúvida serve, de toda forma, para rever princípios e estratégias que fazem parte do universo do artista desde o seu estabelecimento no cenário da dança contemporânea brasileira.

Assistir ao Cena 11 é estar aberto a se surpreender com uma beleza dura, um olhar que não irá encontrar o belo confortável, mas um incômodo a cada movimento desarticulado e a cada cena que invade a retina com a iluminação refinada de Hedra Rockenbach assim como sua performance sonora que inclui o instrumento hang drum e sua voz, presentes em “Protocolo Elefante”. Seus dançarinos são performers que expõem ao máximo seus limites e mostram uma irreverência que ousa em tirar-nos do lugar comum do dançarino virtuoso.

Por que elefante, esse curioso animal cuja memória não esquece um só gesto, cuja sonoridade, tamanho e impacto fazem-nos perceber a força do movimento que o coreógrafo propõe. Performers que se transformam em elefantes para não esquecer.

“Protocolo Elefante” é o alcance máximo de um tipo de platô da pesquisa. A maestria do movimento, da cena, da luz e da performance se entregam ao limite da entropia; o máximo do gesto nos rodopios “sufis” (prática de dervixes rodopiantes que giram initerruptamente para entrar em transe), na trilha musical e, sobretudo, está presente o êxtase da luz que invade a plateia num mar de transe. “Por que continuar” não é só uma pergunta para a companhia, para o momento histórico em que vivemos, para a reflexão de fazer arte, é uma questão existencial para o corpo que não cessa de se transformar num transe da dança.

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