Memória e Preludiando

Ballet Stagium |
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Informações

  • Direção: Marika Gidali
  • Coreografia: Décio Otero Marika Gidali
  • Companhia Ballet Stagium
  • Local Teatro Sérgio Cardoso
  • Ano 2017
  • Profissionais André Falcão, José Luis Oliveira, Marcelo Aharon Gidali, Fabio Villardi, Paula Perillo, Ariadne Okuyama, Roberta Silva, Raquel Gattermeier, Luiza Vilaça, Sabrina Cavallari, Eugenio Gidali, Marcos Palmeira, John Santos, Gustavo Lopes, Alexandre Bóia, Vinicius Anselmo, Yoko Okada, Arnaldo Torres, Emidio Luisi, Edgard Duprat.

Sobre o Espetáculo

“Memória e Preludiando” do Ballet Stagium celebra 46 anos da companhia e traz a memória em forma de quadros, abrindo a perspectiva de um panorama da companhia, em movimento, composição e estética da qual a companhia tem se dedicado. Marika Gidali e Décio Otero são maestros dessa orquestra de história dentro da qual a resistência foi um propulsor e a importância do grupo se mantém. Este espetáculo mostra como se estabeleceu a dança moderna no cenário artístico-cultural de São Paulo e como se fundamentou a composição coreográfica como símbolo de uma época. Hoje, Stagium resiste ao tempo e o repete para não esquecer sua memória.

O espetáculo traz composições coreográficas reconhecidas de uma geração dos anos 70 e mantém sua estrutura estética desenhada pelo tema, pela música e pela cadência de movimentos. Mantém também uma história sobre suas costas, que prepondera a cada movimento, o traço dele, sua repetição ritmada na cadeia de 8 tempos e sobre a construção de um espaço de movimento, feito de desenhos e formas que tracejam o palco. “Memória”, com os bailarinos jovens, pode estranhar o público porque já viu essa movimentação em corpos que introjetaram a companhia em suas veias. Esse espetáculo reúne uma série de coreografias datadas e nos apresentadas pela voz em off dizendo qual coreografia e qual época. E oferece também ao público em geral a oportunidade de ver a forma do movimento dançado carimbado pela companhia.

“Memória” junto a “Preludiando” apresenta uma questão do tempo atual, uma vez que, enquanto a dança contemporânea recria e remonta trabalhos numa perspectiva de reencenar as questões da própria linguagem, estes figuram a história tornando-o décadas em momento presente, dobrando e marcando o tempo. Percebe-se, portanto, que a importância destes trabalhos remete a necessidade de pensar estabilidade nesta companhia que procura manter sua linguagem de dança através de uma estrutura de composição.

“Preludiando”, com música de Claudio Santoro, desafia bailarinos de pouca estrada a capturar o espírito da companhia: movimentos encadeados numa contagem rítmica, figurinos aderentes ao corpo para vermos o corpo e as formas do movimento e, sobretudo, este aspecto que fez um vinco na história. Este é o reconhecimento do Grupo Stagium: definido, determinado e típico a uma movimentação, uma cadência, com o olhar atento a compositores importantes da nossa história, com uma preocupação a contextos sociais ou personagens da cultura dos quais a dança pode ilustrar sua narrativa, como pode-se perceber em trechos de suas coreografias.

Numa mão particular que questiona estabilidade e mudança dos tempos atuais, Ballet Stagium é um baluarte da dança paulistana, definida por suas décadas de existência, buscando vergar o tempo ao seu nome para não esquecermos nossa própria história.

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