Amanhã é outro dia

Amanhã é outro dia |
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Informações

  • Direção: Norberto Presta
  • Coreografia: Angel Vianna
  • Companhia Angel Vianna
  • Ano 2017
  • Local SESC Consolação
  • Profissionais Andrea Elias, Gustavo Gelmini, Renata Lamenza, Aurelio de Simoni, Alexandre Moraes, André Oliveira, Tiago Perissinotto, Maurício Maia.

Sobre o Espetáculo

“Amanhã é outro dia” de Angel Vianna traz a artista de 87 anos para o palco novamente, ausente deste último solo em 1997. Com direção e dramaturgia de Norberto Presta, este solo é a história viva de 50 anos de carreira, de vida, de dança, de arte no Brasil deste ícone da cultura brasileira. Sim, seu legado expande a dança e alcança nosso imaginário sobre corpo, sobre afeto, sobre movimento, sobre formação – diante da Faculdade Angel Vianna, referência nacional – e porque não dizer da história da dança brasileira quando seu parceiro e filho – Klauss Vianna (1928-1992) e Rainer Vianna (1958-1995) – fazem parte fundamental da sistematização da visão de movimento que a família Vianna propõe.

 

“A vida tem muitos mistérios..”, “O amanhã já é..”, “o que é mais gosto é de gente” são frases relacionadas a uma mestre disponível ao outro, ao tempo, ao corpo, como é Angel Vianna. Conhecida por sua delicadeza na formação e olhar com o outro, a dança no seu corpo toma um inteiro de história, uma integridade que avança o tempo da idade marcada e nos fala de uma dança de memória viva. Norberta Presta afirma que é uma “fabulação” da realidade, uma recriação, um exercício de potencializar a vida através da arte. E sim “Amanhã é outro dia” é uma lição de dança e sobretudo de afeto, pura ação de tocar o outro através do seu modo de se emocionar com sua história.

 

Referência fundamental da história da dança no Brasil mas pessoa simples, Angel traz nesse espetáculo uma oportunidade de compreendermos em quais momentos nossas experiências são marcadas pela história em que estamos inseridos, quais outras por vivências pessoais, em tantas quais vida e arte se misturam. Simplesmente ela com gestos amplos onde braços são corpo inteiro, sua voz, seu olhar e as referências audiovisuais compõem um cenário de enredos entrelaçados. O que nosso olhar deve ampliar ao assistir este trabalho em 2017 é não esquecer de perguntar, para afirmar: dançamos por que mesmo? Dançamos porque dançamos.

De cuidado apurado a cada detalhe mas com uma naturalidade em cena, a artista nos convida para um espaço de partilha da história e também de afeto – aquele que é mútuo porque cada história diz também sobre a nossa. Emoção para quem é da dança e para quem não conhece, Angel Vianna traz um espetáculo para nos privilegiar a memória de nunca esquecer o quão importante é fazer nossos corpos “se encolherem e se expandirem” para lembrar nosso viver.

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